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17 de abril de 2024

Alex Pitt – A vida de Bboy do Rio de Janeiro | Talkeando Podcast #249

O que acontece quando um moleque de Madureira, criado entre rodas de samba, Baile Charme e a energia contagiante de uma família negra unida, decide transformar a dança em profissão? No episódio 249 do Talkeando Podcast, gravado diretamente do Rio de Janeiro, o apresentador Thos Andrade recebe Alex Pitt — B-Boy, modelo, coreógrafo e produtor cultural — para uma conversa emocionante sobre arte, resistência, identidade e o que significa viver da dança no Brasil por quase duas décadas.

Por que ouvir este episódio

Com quase 20 anos vivendo — e vivendo bem — da arte, Alex Pitt não apenas sobrevive da dança; ele vive muito bem. Com orgulho, ele conta que comprou seu próprio apartamento no bairro de Fátima, no centro do Rio, com os recursos da sua carreira artística. Contas em dia, viagens internacionais, alimentação de qualidade e liberdade criativa são frutos da conquista através do breaking, da coreografia e da produção cultural. Para ele, a resposta à clássica pergunta “mas dá para pagar conta?” é dada de boca cheia: sim, dá. E ele vai além, alcançando palcos que muitos profissionais de carreiras tradicionais jamais pisaram, como o Teatro de Luxemburgo.

A história de Alex começa em Madureira, um dos bairros mais culturalmente ricos do Rio de Janeiro. Criado numa vila onde toda a família se reunia aos domingos para cozinhar junta e ouvir música, ele cresceu imerso num universo sonoro que ia do samba da Portela ao Baile Charme, passando por R&B, funk melody, James Brown e Michael Jackson. Seus tios e tias eram frequentadores assíduos do Viaduto de Madureira e da Disco Voador, e um deles fazia cover de Michael Jackson. Esse berço familiar foi a semente que plantou nele a paixão pela dança e pela cultura Black, muito antes de qualquer escola de dança ou workshop existir em seu caminho.

Embora a família de Alex fosse sua maior referência artística e cultural, paradoxalmente era também a voz que dizia que a arte não seria um caminho financeiramente viável. Em uma família toda de pessoas pretas, o senso de urgência era claro: o pão precisa estar na mesa. Trabalhar cedo, estudar e ajudar nas despesas da casa eram prioridades inegociáveis. Não havia na família um exemplo de alguém que vivia exclusivamente da arte, o que tornava o sonho de Alex ainda mais ousado e solitário naquele contexto.

Consciente de que precisava respeitar a família e ao mesmo tempo alimentar seu sonho, Alex criou sua própria estratégia: ele se tornou seu próprio patrocinador. Trabalhou como operador de telemarketing, depois na área administrativa de uma assessoria jurídica do Banco Itaú, e ao mesmo tempo cursou faculdade de Administração. Depois do expediente, trocava a camisa social pela roupa de treino e ia para os centros coreográficos do centro do Rio praticar break. Para a família, ele estava “no caminho certo” — trabalhando e estudando. Mas o que ninguém sabia é que tudo aquilo era o combustível para que ele pudesse, um dia, viver inteiramente da dança.

A trajetória de Alex Pitt é um verdadeiro case de sucesso no universo da dança e do hip hop brasileiro. De moleque que girava de cabeça no chão e ouvia “isso não vai te levar a lugar nenhum”, ele se tornou um artista completo que percorre o mundo, ganha campeonatos, produz eventos culturais e inspira novas gerações. Thos Andrade, apresentador do podcast e amigo de longa data de Alex, relembra momentos marcantes da parceria entre eles — dos treinos no Centro Coreográfico do Loft à conquista do primeiro campeonato juntos no “Confronto de B-Boy”. A amizade e o respeito mútuo são prova viva de que a comunidade do breaking constrói laços que vão muito além da pista de dança.

Se você já ouviu alguém dizer que “arte não é profissão” ou que “dança não paga conta”, este episódio é a resposta definitiva. Alex Pitt não fala de teoria — ele fala de uma vida real construída com suor, disciplina e amor pela cultura. Sua história é um lembrete poderoso de que o caminho não convencional pode ser tão — ou mais — recompensador do que qualquer carreira tradicional, desde que haja dedicação, estratégia e respeito pelas próprias raízes.

Além da inspiração, o episódio é uma verdadeira aula sobre a cultura hip hop e Black do Rio de Janeiro. Alex nos transporta para os domingos em família em Madureira, para o Viaduto de Madureira, para o Baile Charme — espaços que moldaram não apenas a sua identidade, mas a identidade cultural de toda uma geração. Ouvir essa conversa é entender que a arte não nasce do nada: ela nasce de uma comunidade, de uma família e de uma história que merece ser contada e celebrada.

Este é também um episódio sobre representatividade. Uma família negra de Madureira, sem exemplos diretos de alguém que vivia da arte, mas com uma riqueza cultural imensurável. Um jovem que encontrou uma forma inteligente de honrar a família enquanto perseguia seu sonho e um artista que hoje prova, todos os dias, que é possível ser de onde você é, fazer o que você ama e viver com dignidade e orgulho.

🎧 Ouça o episódio completo com Alex Pitt no Talkeando Podcast #249! Essa conversa vai muito além do que trouxemos aqui — são histórias de bastidores, reflexões sobre a vida de artista no Brasil e muita energia positiva. Assista agora no YouTube e não esqueça de se inscrever no canal e ativar o sininho para não perder nenhum episódio.

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