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11 de maio de 2023

Balu Fernandes – Ballydancer na Irlanda | Talkeando Podcast #166

No episódio 166 do Talkeando Podcast, Balu Fernandes — uma paulista de Osasco que trocou a correria de São Paulo pela Irlanda — conta como a dança do ventre transformou sua vida. De uma adolescente que não se encaixava em lugar nenhum a uma belly dancer profissional em terras irlandesas, sua história é um convite poderoso para quem sonha em se reinventar longe de casa.

Pontos Principais do Episódio

A dança do ventre como lugar de pertencimento

Balu conta que durante toda a escola foi uma aluna com muitas dificuldades — ficava de recuperação todos os anos, era a última escolhida na educação física e sofreu muito bullying. Aos 15 anos, uma amiga lhe mostrou um movimento chamado “oito para baixo” e algo mudou completamente. Pela primeira vez, ela sentiu que era boa em alguma coisa. As pessoas ao redor reconheceram seu talento, e Balu finalmente encontrou um espaço onde pertencia. A dança do ventre não foi apenas uma atividade: foi a descoberta de uma identidade.

O impacto da novela O Clone na dança do ventre no Brasil

Balu explica que a dança do ventre no Brasil se fortaleceu por dois grandes motivos: a pluralidade cultural de cidades como São Paulo — com comunidades sírias, libanesas e egípcias — e o fenômeno da novela O Clone, exibida em 2001. A personagem Jade, interpretada por Giovanna Antonelli, fez com que milhões de brasileiros conhecessem a dança, a roupa e a música. Isso gerou um boom no mercado, com escolas surgindo por todo o país. Balu se define como “pós-Clone”, tendo começado poucos anos depois da novela, mas surfando na onda de popularidade que ela criou.

O esgotamento de viver de dança em São Paulo

Apesar do amor pela arte, Balu viveu na pele o esgotamento de ser profissional de dança no Brasil. Ela chegava a dar oito aulas por dia, incluindo aulas de Baby Class para crianças de três anos — algo encantador mas extremamente desgastante. Somado ao trânsito de São Paulo, aos custos de gasolina e à instabilidade financeira, veio o momento em que ela sentiu que não aguentava mais. A dança, que era paixão, começou a pesar como obrigação. Esse relato honesto mostra que amar o que se faz nem sempre é suficiente quando as condições ao redor são insustentáveis.

A coragem de largar tudo e fazer um intercâmbio na Irlanda

Balu se descreve como uma pessoa medrosa e muito apegada à família — ciumenta com os pais a ponto de nunca ter pedido um irmão. Mesmo assim, junto com uma amiga, tomou a decision de comprar um intercâmbio para a Irlanda. O investimento foi parcelado em 12 vezes e levou um ano para ser quitado. Seu próprio pai não acreditava que ela iria de fato. Essa parte da história mostra que coragem não é ausência de medo, mas a decisão de agir apesar dele — especialmente quando se reconhece que a situação atual não é mais sustentável.

O desafio de ser belly dancer na Irlanda

Diferente do Brasil, onde a diversidade cultural e a influência da mídia criaram um mercado forte para a dança do ventre, a Irlanda é um território quase virgem nessa área. Balu conta que não foi pioneira — outra brasileira já atuava há mais de 10 anos e abriu portas para ela — mas reconhece que o mercado é extremamente limitado. Segundo ela, a dança do ventre “quase que não cabe” na cultura irlandesa. Mesmo assim, Balu encontrou seu espaço e segue construindo sua carreira, provando que é possível levar sua arte para qualquer lugar do mundo, mesmo onde ninguém espera encontrá-la.

Por Que Você Deve Ouvir Este Episódio

A história de Balu Fernandes é para todo mundo que já se sentiu deslocado, esgotado ou preso em uma rotina insustentável. Ela mostra que encontrar sua paixão pode acontecer nos momentos mais inesperados — como aos 15 anos, através de um simples movimento de dança mostrado por uma amiga. E mostra também que, quando essa paixão começa a sufocar por conta das circunstâncias, é preciso ter coragem para mudar radicalmente de cenário.

Este episódio é especialmente valioso para quem sonha com um intercâmbio mas tem medo de dar o primeiro passo. Balu era medrosa, apegada à família e estava financeiramente apertada — e mesmo assim foi. A conversa é leve, divertida e cheia de momentos reais, sem romantizar as dificuldades. É um papo honesto sobre o que significa sair da zona de conforto e se reconstruir do outro lado do oceano.

Se você trabalha com arte, dança ou qualquer área criativa, vai se identificar profundamente com os dilemas que Balu compartilha: o amor pelo ofício versus a dificuldade de viver dele, a busca por reconhecimento e a reinvenção profissional em um país completamente diferente.

🎧 Ouça o episódio completo com Balu Fernandes no YouTube: Assista ao Talkeando Podcast #166. Se essa história te inspirou, inscreva-se no canal, deixe seu like e ative o sininho para não perder nenhum episódio. Siga também o @talkeandopodcast em todas as redes sociais e faça parte dessa comunidade de pessoas que escolheram pensar fora da caixa e mudar de vida!