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04 de janeiro de 2024

Enrique Matos – Professor e produtor cultural em Lisboa. | Talkeando Podcast #226 | Parte 2

Na segunda parte do episódio #226 do Talkeando Podcast, Enrique Matos continua compartilhando sua trajetória extraordinária — de menino vendedor de pão nas ruas de Conceição do Mato Dentro, em Minas Gerais, até se tornar professor e produtor cultural em Lisboa. Nesta conversa repleta de autenticidade, Enrique revela como a necessidade de sobreviver desde cedo forjou uma mentalidade de excelência que o levou a conquistar posições impressionantes no mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, cultivar sua paixão pela cultura brasileira através da capoeira, do forró e da dança.

Principais Pontos do Episódio

Menor aprendiz na Riachuelo: onde tudo começou a ganhar forma

Graças às tias que trabalhavam na Riachuelo do Minas Shopping, Enrique conseguiu uma vaga como menor aprendiz aos 16 anos. Combinando o trabalho na loja com o curso de auxiliar de almoxarifado no SENAI, ele rapidamente dominou toda a operação do estoque — desde a chegada de mercadorias até a priorização de etiquetagem e alarme dos produtos. Seu desempenho foi tão acima da média que conseguiu renovar o contrato por mais um ano, algo incomum no programa. Essa experiência foi fundamental para desenvolver habilidades de organização e gestão que ele carregaria para o resto da vida.

A mentalidade de “fazer bem feito” forjada na infância

Enrique deixa claro que sua postura profissional não nasceu em nenhum curso corporativo. Ela veio das ruas de Conceição do Mato Dentro, onde vendia pão em uma bacia amarela — e depois em um balaio de taquara — ganhando R$ 1 ou R$ 2 por tarde. Ali, ainda criança, ele já praticava algo que muitos profissionais adultos não dominam: relacionamento com o cliente e pós-venda. Segundo ele, “não teve tempo de ficar esperando as coisas acontecerem” — era preciso se virar, e essa urgência se transformou em motor de crescimento permanente.

De segurança extra a subgerente em um ano

A história de Enrique na loja Escala, uma grande rede paulista no centro de Belo Horizonte, é um caso impressionante de ascensão profissional. Ele entrou como segurança temporário para o período de Natal, ganhando cerca de R$ 3 a R$ 4 por hora. Em poucas semanas, migrou para o caixa graças à sua velocidade de digitação aprendida no SENAI. Em menos de cinco meses, já era encarregado de setor. Com um ano de casa, ocupava a posição de assistente de gerente — o segundo maior salário de uma loja que empregava mais de 100 funcionários e recebia até 120 mil pessoas por dia na época do Natal. Foi nessa função que viajou de avião pela primeira vez, para um curso de liderança em São Paulo.

A capoeira como escola de vida, ritmo e identidade

Desde antes de saber o nome dos golpes, Enrique já “brincava capoeira” nas ruas de Conceição do Mato Dentro, especificamente no Alto do Cruzeiro — local histórico e simbólico onde ficava o cruzeiro da forca. Foi ali, nos gramados daquele morro, que aprendeu a dar mortais e desenvolveu o senso de ritmo e balanço que hoje são a base do seu trabalho com dança e produção cultural. Ele alcançou a corda laranja e amarela, ficando a apenas um nível de se tornar instrutor. Atualmente pratica jiu-jítsu, mas reconhece que tudo o que faz artisticamente ainda carrega a essência da capoeira.

O forró como paixão constante e fio condutor da vida cultural

Independentemente do emprego ou da fase da vida, o forró sempre esteve presente na trajetória de Enrique. Durante o período em que trabalhava na Escala, ele era “sensação” nas noites de forró em Belo Horizonte — dançando, tocando zabumba e vivendo intensamente a cultura nordestina. Quando viajou a São Paulo para o curso da empresa, aproveitou a proximidade com o bairro de Pinheiros para conhecer o Canto da Ema e o Remelexo Brasil, as duas maiores casas de forró da cidade, onde teve a experiência marcante de ver Dominguinhos tocando ao vivo. Essa paixão pelo forró e pela cultura brasileira seria o combustível que, mais tarde, o levaria a se tornar produtor cultural em Lisboa.

Por Que Você Deve Ouvir Este Episódio

A história de Enrique Matos é uma aula prática sobre resiliência, adaptação e excelência. Ele não teve o privilégio de escolher quando começar a trabalhar ou de esperar a oportunidade perfeita. Cada situação — vender pão na rua, organizar estoque, operar caixa, vigiar loja — foi transformada em aprendizado real que o catapultou para o próximo nível. Ouvir essa trajetória é entender que grandes carreiras nem sempre começam com grandes planos, mas sim com a decisão de dar o melhor de si no que está à frente.

Além da trajetória profissional, este episódio é uma celebração da cultura brasileira em suas várias expressões. Da capoeira no Alto do Cruzeiro ao forró nas casas de São Paulo, passando pela zabumba e pela dança, Enrique mostra como a arte e a cultura foram não apenas refúgio, mas também a ponte que conectou todas as fases da sua vida — até chegar a Lisboa como professor e produtor cultural.

Se você é brasileiro no exterior, empreendedor cultural ou simplesmente alguém que precisa de uma dose de inspiração genuína, este episódio vai falar diretamente com você. A jornada de Enrique prova que não importa de onde você vem — o que importa é a atitude com que você enfrenta cada etapa do caminho.

🎧 Ouça o episódio completo no YouTube: Enrique Matos – Professor e Produtor Cultural em Lisboa | Talkeando Podcast #226 | Parte 2

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