Talkeando Podcast
← Todos os episódios

06 de outubro de 2022

Márcio Tarkta – Músico percussionista na Irlanda | Talkeando Podcast #110

No episódio 110 do Talkeando Podcast, os apresentadores Thales e Dario Bastos recebem Márcio Tarkta, um percussionista pernambucano que deixou Jaboatão dos Guararapes há 10 anos para construir sua vida na Irlanda, e hoje vive exclusivamente de música em Dublin. Uma conversa envolvente sobre cultura, superação, saudade dos instrumentos brasileiros e a força da comunidade musical brasileira no exterior.

Os Pontos Principais do Episódio

Viver de música na Irlanda: é possível e cada vez mais real

Márcio Tarkta é a prova viva de que é possível viver de música fora do Brasil. Desde que chegou à Irlanda em 2012, ele construiu uma carreira sólida como percussionista, participando de cerca de 14 projetos musicais diferentes somente no ano de 2022. Nem todos os projetos são constantes; alguns tocam uma vez por mês, outros a cada dois meses, e há aqueles ligados a datas comemorativas como Carnaval, São João e fim de ano. Mas é justamente essa diversidade que preenche a agenda e permite que ele se sustente fazendo o que ama. Márcio também conta que hoje tem um estúdio próprio para ensaios, algo que considera fundamental para manter a qualidade do trabalho.

O acesso a instrumentos: Brasil vs. Irlanda

Um dos pontos mais impactantes da conversa é a diferença no acesso a instrumentos musicais entre Brasil e Irlanda. Márcio relata que, no Brasil, comprar um par de congas pode custar em torno de R$7.000, um valor praticamente proibitivo para quem ganha um ou dois salários mínimos. Na Irlanda, com a renda em euros, esse acesso se torna muito mais viável. Ele comprou quase todos os seus instrumentos em Dublin, com exceção do pandeiro, que é insubstituivelmente brasileiro. O modelo que ele usa atualmente é o Ultraleve da marca Contemporânea, trazido diretamente do Rio de Janeiro por um amigo músico, o Wagner Valinhos — porque, segundo Márcio, “pandeiro bom é pandeiro brasileiro”.

A escola da rua: como tudo começou em Pernambuco

Antes de ser profissional, a música era hobby e convivência para Márcio. Sua formação aconteceu de forma orgânica e comunitária, nas rodas de samba, pagode e reggae com amigos de Barra de Jangada, em Jaboatão dos Guararapes. Amigos como Pedrinho Borges, cuja família inteira tocava algum instrumento, foram fundamentais nesse processo. Foi nesse ambiente de churrascos, festinhas e viagens ao interior que Márcio desenvolveu o ouvido e a vontade de tocar. Sua escola formal de percussão, porém, veio do Maracatu Almirante do Forte, em Recife, onde mergulhou de cabeça no universo rítmico pernambucano.

Pernambuco: um caldeirão cultural muito além do frevo e forró

Márcio faz questão de desmistificar a ideia de que Pernambuco é só frevo e forró. O estado possui uma cena cultural riquíssima e extremamente diversa. Antes mesmo do movimento Mangue Beat — que misturou as guitarras do rock com ritmos regionais sob a liderança de Chico Science e Nação Zumbi — a cena de rock e hardcore já era muito forte, com festivais icônicos como o Abril Pro Rock e bandas de peso como Ratos de Porão se apresentando por lá. No Recife Antigo, você pode encontrar um Maracatu ensaiando ao lado de uma orquestra de frevo, enquanto em Olinda o afoxé toma conta das ruas. Essa mistura toda moldou o músico que Márcio se tornou: versátil, curioso e aberto a todos os gêneros.

Os desafios físicos de ser percussionista profissional

Ser percussionista não é só ritmo e talento; exige preparo físico e técnicas específicas. Márcio compartilha detalhes do dia a dia que poucos conhecem, como a importância de usar pandeiros leves para evitar a fadiga durante apresentações longas — imagine segurar um pandeiro pesado por três horas seguidas! Além disso, ele aborda a técnica da mão esquerda para sustentar e controlar o instrumento, e um desafio pessoal que ele enfrenta: a distonia, que causa suor excessivo nas mãos. Por isso, a toalhinha que ele sempre carrega na perna durante as apresentações não é mandinga nem superstição; é uma necessidade real. Qualquer percussionista, seja tocando jazz, bossa nova ou samba, vai suar e precisa estar preparado para isso.

Por Que Você Deve Ouvir Este Episódio

Se você é músico, sonha em viver de música ou simplesmente admira quem teve a coragem de largar tudo e recomeçar do zero em outro país, este episódio é para você. A história de Márcio Tarkta é um retrato autêntico de como a persistência, o talento e a comunidade podem transformar um hobby em profissão — mesmo a milhares de quilômetros de casa. Ele não tinha recursos para comprar seus próprios instrumentos no Brasil, aprendeu nas rodas com os amigos e hoje toca em mais de uma dezena de projetos em Dublin.

Além da trajetória inspiradora, o episódio é uma verdadeira aula sobre cultura pernambucana e a riqueza musical do Brasil. Márcio fala com paixão sobre Maracatu, Mangue Beat, a cena de rock de Recife e como tudo isso moldou sua identidade artística. Para quem está na Irlanda, é também um convite a conhecer e valorizar a vibrante cena musical brasileira que pulsa em Dublin.

E se você é percussionista ou está começando, as dicas práticas sobre escolha de pandeiro, técnicas de resistência e cuidados com as mãos são valiosas e vêm direto de quem vive isso no palco todos os dias. Um episódio rico, leve e cheio de energia — assim como o próprio Márcio.

🎧 Ouça o episódio completo com Márcio Tarkta no YouTube: Assista aqui ao Episódio #110 do Talkeando Podcast

Se você curtiu este conteúdo, inscreva-se no canal do Talkeando Podcast no YouTube e ative o sininho para não perder nenhum episódio. Siga também nas redes sociais em @talkeandopodcast no Instagram, Facebook, Twitch e LinkedIn. Cada inscrição e cada compartilhamento fazem a diferença para que mais histórias inspiradoras como a do Márcio cheguem a mais pessoas. Bora fazer parte dessa comunidade! 🚀